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Era o que o sol mantinha



Logrei em entregar a maça,
para a sensata menina,
que percebera meu tendencioso afã,
sentados na serra que o sol ainda mantinha.

O crepúsculo rosado nos transfigurou
numa enfática comoção e estranhamente nos pendurou.
Nosso ar era fatigante como se a beleza de tal lugar,
fosse algo que debilitasse o nosso sonhar.

Contudo o mundo era estático,
não houve ousadias e interpretações,
nossos olhos eram fronteiriços e pasmados.
Contemplávamos uma única direção;
o fundo do vale e o seu riacho
de face azulada,
como um verdadeiro borrão.
Eramos pintados numa falsa situação,
numa receita afunilada.

Quando me dispus a falar,
ela resolveu se movimentar.
Seu braço já levava meu fruto
até seus lábios e mastigava-o,
E me escutava transmitindo sua fome...
Tudo parecia habitual e infame.

Amedrontado que o sol se parta,
calei-me e agora a contemplava,
sua resposta foi um tanto que imediata.
Nossos olhos já eram reluzentes
e negavam ser pendentes ao futuro
que se dizia ser completamente absoluto.

Comentários

Anônimo disse…
Ok. Esta é a primeira vez em que leio e fico sem saber o que comentar. Mesmo. Mas eu gostei da foto. Esse tom de vermelho me encanta.

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