Pular para o conteúdo principal

Era o que o sol mantinha



Logrei em entregar a maça,
para a sensata menina,
que percebera meu tendencioso afã,
sentados na serra que o sol ainda mantinha.

O crepúsculo rosado nos transfigurou
numa enfática comoção e estranhamente nos pendurou.
Nosso ar era fatigante como se a beleza de tal lugar,
fosse algo que debilitasse o nosso sonhar.

Contudo o mundo era estático,
não houve ousadias e interpretações,
nossos olhos eram fronteiriços e pasmados.
Contemplávamos uma única direção;
o fundo do vale e o seu riacho
de face azulada,
como um verdadeiro borrão.
Eramos pintados numa falsa situação,
numa receita afunilada.

Quando me dispus a falar,
ela resolveu se movimentar.
Seu braço já levava meu fruto
até seus lábios e mastigava-o,
E me escutava transmitindo sua fome...
Tudo parecia habitual e infame.

Amedrontado que o sol se parta,
calei-me e agora a contemplava,
sua resposta foi um tanto que imediata.
Nossos olhos já eram reluzentes
e negavam ser pendentes ao futuro
que se dizia ser completamente absoluto.

Comentários

Anônimo disse…
Ok. Esta é a primeira vez em que leio e fico sem saber o que comentar. Mesmo. Mas eu gostei da foto. Esse tom de vermelho me encanta.

Postagens mais visitadas deste blog

Nascer, foi a chance que a vida me deu.

Deu-se a chance de amar e se perdeu lacrimejando sobre palavras árduas afogadas num rio límpido de fábulas, margeando o momento que se viveu. A vida me deu a chance de amar e a retirou sem a minha permissão e negou, por hora a eu sonhar. Num imbróglio sem simulação. Desistir de amar é se resignar a estar sobre devaneios. Perde-se o direito de dormir e desvanece-se sobre fantasias e sombras de outrora. E assim roga-se por um novo direito, um novo tempero, um apalpe fugaz, até que a vida nos traz e felizes nos faz. Até quando nossa conquista terá efeito? E dá aquela chance, a vida nos dá... e aquela chance que sempre dá, e sempre nos deu. Mas porque retira-se e assim tudo se consome? Deixarei de amar no dia que morrerei, porque a vida não me dará mais nenhuma chance de amar. Neste dia, não poderei mais amar e amar, por fim sonhar e lembrar. E assim vivo perante as chances que a vida me deu. Com sorrisos ou angustias respiro sob o ar de deus.

Moinho

Força de vontade, é que venho demonstrar nessas rasas linhas, para que um post mais inútil? Palavreado tosco e um sujeito que se aparenta quase sempre indeterminado, deformado e ao mesmo tempo mesclado. _Mesclado?_pergunto a mim mesmo. Sim, mixado de idéias , de imagens e de situações, que dispoem a minha pessoa a transgredir, a fixar no meu eu! Um imenso moinho, "c' est moi !", Como a senhorita wikipédia diria (escrevo perante o pc ): "Um moinho é uma instalação destinada à fragmentação ou pulverização de materiais em bruto", material bruto meu caro, cabe a ti transformar essas escórias em pensamentos concretos e na sua reverenda comoção, conquanto transmutam em memórias e sentimentos. Não obstante, volto a citar minha reluta ingratidão de prosseguir com este jogo de conceitos, estou fatigado, a colheita foi desfavorecida pelas condições climáticas, o forte vento e as marés revoltosas foram de desgastar minha mecânica. Agora num ritmo mais lento, me sinto ...

Por favor, não pergunte meu nome

O ar caminhava sob as narinas lentamente, assim fazia seu percurso de uma forma mais vagarosa, dirigindo-se pela cavidade bucal e desembocando sobre seus alvéolos pulmonares, numa dança ritmada e mais terna que davam o seu espírito um estado ébrio de um sono longínquo. A realidade já se misturava em figuras místicas, não sabia de onde vinha e o que ocorria... apenas sabia que vivia aquele momento ilusório, o seu sonho. Nas primeiras horas o seu torpor era conduzindo para o Caos, que era um estado primordial do mundo primitivo ou quem sabe o seu subconsciente que começava se apoderar de uma pequena aquarela, que sob uma vaga forma, indefinível, indescritível criava um belo cenário ou ecos que se confundiam os princípios de todos os seres particulares. Sentiu uma forte presença solar sobre seu pálido rosto. Seus olhos que se machucaram ao se abrirem notaram que se encontravam no limiar de uma falésia, a adiante um grande tom azulado que se confundia o céu e o mar num ponto ínfimo do hori...