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Outono



_O outono chegou, e consigo a sua benevolência, seria pouca coincidência? Eu posso sentir um pequeno fervor, mais agradável que o reservado inverno, com pequenas rajadas de vento que envoltam seus cabelos fazendo pequenos movimentos como se seus fios negros estivessem uma dosagem de vida, marcando presença como este tapete de folhas que trazem uma grande beleza no nosso caminho, porque você não me arranja um vinho? Sentados a sombra dessa alta arvore poderíamos soluçar por uma necessidade sanguínea; aperte minha mão sinta minha pulsação, a nossa pequena combustão, não solte, pois não vivemos em vão.

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Deu-se a chance de amar e se perdeu lacrimejando sobre palavras árduas afogadas num rio límpido de fábulas, margeando o momento que se viveu. A vida me deu a chance de amar e a retirou sem a minha permissão e negou, por hora a eu sonhar. Num imbróglio sem simulação. Desistir de amar é se resignar a estar sobre devaneios. Perde-se o direito de dormir e desvanece-se sobre fantasias e sombras de outrora. E assim roga-se por um novo direito, um novo tempero, um apalpe fugaz, até que a vida nos traz e felizes nos faz. Até quando nossa conquista terá efeito? E dá aquela chance, a vida nos dá... e aquela chance que sempre dá, e sempre nos deu. Mas porque retira-se e assim tudo se consome? Deixarei de amar no dia que morrerei, porque a vida não me dará mais nenhuma chance de amar. Neste dia, não poderei mais amar e amar, por fim sonhar e lembrar. E assim vivo perante as chances que a vida me deu. Com sorrisos ou angustias respiro sob o ar de deus.

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