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Noite profana


(quadro A Noite Estrelada de Van Gogh)

Assis-toi!
bocejou o garçom do bar,
não sabia o francês,
pois tudo está na eloqüência
e pormenores
"fantasiosos",
facilmente complacente
por minhas têmporas ébrias
num aconchegante convés.

Tripulação? Faltam Dolores e Miraflores,
não há espaço para sentimentos e odores,
apenas para oradores do anseio e da liberdade.

Fala-se de tudo e de todos,
em política e em bolsa de valores,
no trabalho e no escritório,
nas namoradas e nos amores,
nos anseios e nos desejos,
nas festas e nos fervores...
tal como também o novo
argumento de Joana,
que transpareceu singelo e singular
como sua face afana.

Doravante muitos se calam e se olham,
não por muito tempo; talvez segundos
ou poucos minutos, rostos diminutos...
que contemplam os trausentes ou o luar.
Depois de um torpor minguante
voltamos a nos falar.

Fixados na escuridão
que antecedem os raios da Aurora,
dama inquisidora dos Vampiros,
rendidos pela debilitação noturna.
A redenção se liga ao clareamento
de nossas faces, Ah! como nossos olhos...
se tornam mais verdes, mais azuis,
mais castanhos; a aquarela que seduz
os raios matinais e o corpo que se transluz.

"Como seu sorriso claro me convém...
me abrace chamando a letrada resenha,
que nos santifica neste além."

O divino nos carregou como anjos beatificados,
para um novo campo similar ao paraíso,
como se fossemos canonizados.
Meu Senhor hão de sentir nossa falta?
Não penso em voltar, para que remar?
Minha âncora está arcada
nesta pomposa esperança.

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