- Estava sentado na varanda de meu apartamento com um livro em mãos, aproveitando esta vida mansa nesta desejadas férias, porém o sol não estava em meu favor... era umas três e meia da tarde, um tempo meio que de inverno, me causou até estranhezas por ser Vitória, raramente me lembro de tempos amenos como este, e me faltava, como tal, uma simples luminária. Resolvi ir a praia com as paginas em mãos.
- Resignava em lembrar como lá ventada, e isto incomodava e bastante, um vento úmido e um pouco frívolo fazendo um paradoxo com os raios solares - o céu estava limpo, extremamente azul, todavia como foi dito nada que seja extremado com ardor, muito longe disso. Numa pausa reparei como tudo aquilo era feio; obras desnecessárias beiravam o limiar da praia e que eram bem tocantes nos quesitos de contemplar e tal como no outro lado da bahia uma industria dava para se enxergar, e era visível como suas chaminés gotejavam de fumaça e as cuspiam para o céu, pena que seus pulmões carecem de degenerações tal como o câncer, não obstante adoecem nossos olhos e nosso estado de espírito. Perante a isso tudo, esqueci do mundo e continuei a ler e ás vezes observava as crianças mais adiantes que brincavam perante a água.
Deu-se a chance de amar e se perdeu lacrimejando sobre palavras árduas afogadas num rio límpido de fábulas, margeando o momento que se viveu. A vida me deu a chance de amar e a retirou sem a minha permissão e negou, por hora a eu sonhar. Num imbróglio sem simulação. Desistir de amar é se resignar a estar sobre devaneios. Perde-se o direito de dormir e desvanece-se sobre fantasias e sombras de outrora. E assim roga-se por um novo direito, um novo tempero, um apalpe fugaz, até que a vida nos traz e felizes nos faz. Até quando nossa conquista terá efeito? E dá aquela chance, a vida nos dá... e aquela chance que sempre dá, e sempre nos deu. Mas porque retira-se e assim tudo se consome? Deixarei de amar no dia que morrerei, porque a vida não me dará mais nenhuma chance de amar. Neste dia, não poderei mais amar e amar, por fim sonhar e lembrar. E assim vivo perante as chances que a vida me deu. Com sorrisos ou angustias respiro sob o ar de deus.
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